26 de abril de 2014

Modelo de cinco estágios de Tuckman

26.4.14


O modelo de cinco estágios de desenvolvimento de grupos de Tuckman assume que os grupos possuem, de forma geral, comportamentos padronizados, que passam por cinco etapas: formação, tormenta, normalização, desempenho e interrupção [2]. A definição destes estágios foi fruto de uma extensa revisão de literatura de Bruce Tuckman. O autor analisou diversos artigos científicos da época que tratavam a respeito da formação de grupos e sintetizou as conclusões de cada autor analisado em cinco fases gerais dentro do processo de formação de um grupo [3, 4].

1. Formação - forming


É o estágio inicial, no qual os membros estão começando a interagir [1]. É caracterizado por uma grande dose de incerteza sobre os propósitos do grupo, sua estrutura e sua liderança. Os membros estão “reconhecendo o terreno” para descobrir quais comportamentos são aceitáveis [2]. É neste momento que os membros começam a pensar em si mesmos como partes do grupo. 

2. Tormenta / atrito - storming


Caracterizado pela ocorrência de diversos conflitos no grupo. Os indivíduos já reconhecem a existência do grupo, mas demonstram resistência em relação aos limites da individualidade. Há também conflito quanto  a definição de quem irá liderar o grupo. É durante a tormenta que os membros medem forças, estabelecendo uma espécie de hierarquia das relações dentro do grupo. Após o encerramento desta etapa, esta hierarquia estará relativamente clara para os membros do grupo. 

3. Normatização / normação - norming


Começa a haver coesão no comportamento do grupo, tornando os integrantes mais próximos uns dos outros. Surge um sentido de identidade e os membros começam a agir como uma unidade coordenada. Ao final deste estágio a estrutura do grupo se torna mais sólida, de tal forma que o grupo assimila um conjunto de expectativas que definem qual deverá ser o comportamento mais adequado para o grupo. 

4. Desempenho - performing


É o estágio no qual a estrutura do grupo é funcional e aceita, ocorre após o estabelecimento da hierarquia - estágio da tormenta - e das normas - normatização. Nesta fase, o grupo está coeso e a sua energia é analisada nas tarefas a serem realizadas. Nos grupos permanentes de trabalho, este pode ser considerado o último estágio de formação, sendo que a etapa do desempenho continuará ocorrendo de forma contínua. Em grupos temporários, haverá ainda a etapa de interrupção.

5. Interrupção - adjourning / transfering


É o estágio final do desenvolvimento dos grupos temporários, pois prepara o grupo para seu fim. Como as atividades deverão ser concluídas e o grupo dissolvido, o foco deixa de ser o desempenho das tarefas e passa para o encerramento dos trabalhos. Nesta etapa, podem surgir sentimentos conflitantes dentro do grupo. Enquanto alguns membros se sentem mais contentes com o desempenho obtido, outros ficam abatidos com o encerramento e com o fim da amizade nascida a partir do convívio.






Cabe frisar que este modelo surgiu a partir de um amplo processo de sintetização de diversas pesquisas [3]. Na prática nem sempre os grupos obedecerão este processo fechado de formação e podem ocorrer alguns problemas:

  • os grupos nem sempre passarão de forma clara de um estágio para outro;
  • alguns estágios podem ocorrer simultaneamente, principalmente na etapa de tormenta e desempenho;
  • o melhor desempenho pode ocorrer em outra etapa que não seja a quarta, o que faz com que o estágio de desempenho nem sempre seja o mais desejável;
  • o modelo ignora o contexto organizacional. O contexto pode fornecer regras, definições de tarefas, informações sobre recursos e desempenho que podem fazer com que alguns dos estágios não ocorram.

Referências


[1] CHIAVENATO, I. Comportamento Organizacional: a dinâmica de sucesso das organizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

[2] ROBBINS, S. P. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

[3] TUCKMAN, B. Developmental sequence in small groups. Psychological bulletin, v. 63, n. 6, p. 384–399, 1965.

[4] TUCKMAN, B.; JENSEN, M. Stages of small-group development revisited. Group and Organization Studies, v. 2, n. 4, p. 419, 1977. 

Escrito por

Doutor em Administração na linha de Finanças pela Universidade Federal de Santa Catarina. LinkedIn.

Site pessoal: wrprates.com

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